segunda-feira, 19 de abril de 2010

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Ontem avariaram-se as máquinas registadoras de um McDonalds à hora do almoço. Estava uma família à nossa frente, a conta foi feita (com calculadora) quatro vezes e deu sempre resultados diferentes. Vieram reforços, as filas a engrossar, a coisa não se resolvia. Por fim, acho que se decidiu pela média dos resultados.
O Medina Carreira diria que isto é o produto das Novas Oportunidades. Sei lá do que é! O certo é que fazer contas de somar com calculadora parece ser tarefa impossível para gente adulta em Portugal...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Václav Klaus e a falta de nervosismo dos Tugas

Hoje o Presidente Checo afirmou-se surpreendido com a traquilidade de Portugal perante o défice de 8%. A afirmação vale o que vale, mas podemo-nos perguntar se Portugal estaria tão pouco nervoso se não fosse ao colo da Europa...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Onde a razão não chega

Quinta-feira Santa. O que hoje os cristãos celebram é qualquer coisa de muito estranho. É que Cristo está presente - Corpo, Sangue, Alma e Divindade - em cada hóstia consagrada. Quando Ele disse que ia fazer isso, muitos O abandonaram. E os primeiros cristãos eram perseguidos, acusados de serem antropófagos. "O meu corpo é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida". "Dura é esta linguagem. Quem a pode entender?"
A fé. A fé dá luz ao entendimento. A fé é um dom, mas um dom que tem que ser acolhido. A fé não existe sem liberdade, sem acolhimento.
Às vezes repugna à razão acolher o que a fé propõe. Entra aí a humildade. Por isso "só os pequenos podem entrar no reino dos céus".
Cristo está realmente presente em todos os sacrários da Terra. Quem O verá?

terça-feira, 30 de março de 2010

Liga Norte


Várias coisas podem ser ditas quanto aos bons resultados da Liga Norte em Itália. A evocação mais romântica é que, por mais que se queira, nem a história se apaga, nem as tradições morrem por decreto. A Liga Lombarda, que lhe deu origem, nasceu há mais de 20 séculos, a pedir independência. Os Estados, como as pessoas, se não se adptam, ficam para trás.

A epopeia da cidadania

Ontem, o programa foi fazer o cartão do cidadão aos três filhos: uma epopeia que durou das 10h30 da manhã às 16h30. Nada menos do que seis horas! Fomos a três repartições diferentes, todas elas com 100 números à nossa frente. Pusemos o carro em três parques diferentes, um deles (do Marquês) terrivelmente sinalizado.
Entrar nos serviços públicos em Portugal é sempre uma lotaria. O azar é que nunca sai nem a sorte grande nem a terminação.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O Prof que se atirou ao rio porque já não aguentava os alunos

A propósito da deixa do ALM (que abandonou este blog recentemente), o Público de hoje dá conta de mais um suicídio: desta vez um professor a braços com uma turma insuportável. O que me surpreende é como não há ninguém a questionar abertamente o modelo das escolas públicas. As escolas têm que ser públicas porquê? Se as privadas são inquestionavelmente melhores (em todos os sentidos) e mais baratas, por aluno, do que as públicas, por que razão não se privatiza o ensino? Os tiques socialistas e paternalistas do nosso Estado são absolutamente omnipresentes. E enquanto não acabarmos com isso, não acabaremos com este Portugal medíocre, do "Suf-". Com meninos a crercer à sua imagem.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Bom Proveito

A Criação de Adão, Michelangelo


Vou deixar de estar aqui. Nem de propósito, depois de tudo apagado, o último post que fica fala de mim e diz, com certa bondade, coisas simpáticas, que agradeço, motivadas por um ataque sindical anterior (para quem se lembra, eu não me esqueço embora me faça de parvo) cuja imagem se assemelha a uma retrete entupida que, de repente, conseguiu aliviar-se. Interessou-me, no que aqui escrevi durante quase dois anos e 344 posts (nada de especial) e com raros desvios desse propósito, alertar para a valente aldrabice que é este país e os protagonistas que o comandam nos vários sectores. Para não deixar a actualidade, hoje é capa dos jornais um menino de 12 anos que se atirou ao Tua porque era vítima daquela parvoíce de maus tratos escolares. O menino dizia que queria ir ter com a irmã que, pelos vistos, também já partiu para outra parte. Ora, numa altura em que alguém com 12 anos já acredita na salvação do suicídio, num contexto de total incompatibilidade com o seu mundo e não apenas como uma brincadeira estúpida que é frequente em suicídios infantis, significa que o vazio é a palavra de ordem dos tempos que passam. Bom proveito.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O outro lado da indignação

A propósito das marés de comentários que às vezes assaltam este blog, é importante dizer que elas são um sintoma de que o mundo está vivo e que a capacidade de indignação é uma das melhores coisas que o genéro humano tem. Devemos agradecer ao ALM por provocar tais acessos com os seus sempre acutilantes e oportunos posts. Devo dizer, conhecendo-o bem, que ninguém diria que aquela pessoa (uma espécie de Sharpei em humano), seria capaz de semelhante proeza. Também ninguém diria da raridade do seu olhar crítico e da sua excepcional capacidade de leitura do real. As aparências iludem e devemos ter a humildade de ver para além delas. E aprender com isso.

domingo, 29 de novembro de 2009

Luzes de Natal na capital

Ontem fomos dar a tradicional volta para mostrarmos aos nossos filhos as "luzes de Natal": Av. Liberdade, Rossio, Praça da Figueira, Baixa e Chiado. De Natal não há nada: nem sinos, nem anjos, nem presépios, nem estrelas. Há luzes de embrulhos e laçarotes, bolas e fios pendurados em árvores. Pode-se mascarar tudo, até o Natal. Pode-se esconder tudo, até o Menino Jesus. Pode-se acabar com o sentido de todas as coisas, até da vida. Mas a decisão estará sempre, e ainda bem, no nosso coração.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Fé Islâmica...

Fotografia de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Défice de Demos

E lá vai a Europa, com um tal de Herman van Rampouy como Presidente do Conselho Europeu, e uma tal de Catherine Ashton como Alta Representante para a Política Externa. Alguém tem ideia?
Aqui estamos nós, na exprema marítima ocidental, preocupados com as luvas com que os nossos governantes alegremente se governam e, lá por fora, decidem-se coisas. Vejamos a situação pelo lado positivo: talvez um dia destes não precisemos destes nossos pseudo-governantes para nada, nem para a fachada.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Apetite vs. Dever

O que separa os adeptos do "sim" e os adeptos do "não" no casamento dos homossexuais e outras questões "fracturantes" é um fosso: os dos que pensam que a vida se rege pelo apetite (a satisfação dos desejos no mais curto espaço de tempo) e os que pensam que a vida se rege pelo dever: dever perante si próprios, perante a sua vida e a vida dos outros. Os primeiros fazem de si próprios a medida de todas as coisas. Os segundos aprendem a respeitar: a vida, os outros, as tradições. Estarão, pois, sempre em desvantagem nestes debates.
E basta fazer um pequeno exercício empírico para distinguir quem está bem e quem está mal, numa perspectiva meramente social: ponham numa sala miúdos que cresceram nos padrões do primeiro registo e noutra sala miúdos que cresceram educados no segundo registo. No fim, vejam o estado das salas e verifiquem quem conservou e quem destruiu.
É igual para a sociedade.

Moral e sociedade e sociedade sem moral

A propósito do post sobre o sobre o sim ou o não aos casamentos homossexuais, não posso deixar de expressar a minha opinião: a moralidade não me parece ser um assunto irrelevante numa sociedade. Nem a modernidade torna, de forma determinista, alguns caminhos inevitáveis. Podemos escolher, como escolheram Sodoma e Gomorra e acabaram como acabaram. Podemos escolher, como escolheu o Império Romano e acabou como acabou.

Como dizia Veleio Patérculo no início do séc. I a.C., citado recentemente no blog "31da armada": "Quando Roma se libertou do medo de Cartago, e afastada a sua rival, o caminho da virtude foi sendo substituído pelo da corrupção, não gradualmente, mas de forma rápida. A antiga disciplina foi abandonada para dar lugar a uma nova. A cidadania passou da vigília ao sono, das armas aos prazeres, da actividade ao ócio.” O seu destino foi o fim.
Estamos a escolher o nosso, não é por isso um assunto de somenos importância. Pode ser apenas outro sinal do fim do caminho.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Onde estão?

Ondes estão agora os defensores da República e dos seus valores?
Manuel Alegre, onde estás?
Mário Soares, onde estás?
Almeida Santos, onde estás?
Santos Silva, onde estás?
...
Ao menos sabemos onde o Armando Vara não está!

Primeiro Ministro:

Obviamente, demito-me.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A agonia do facebook

Pode parecer mentira, mas depois da deplorável experiência de há uns meses atrás, fui lá parar hoje outra vez! Dez minutos depois, o vómito:
- A confirmação das perdas de tempo, da vacuidade (amigos? que amigos?), de mundos paralelos e ilusórios.
O facebook confirma a mentira e a evasão em que hoje se vive. Um vómito.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Bimby ou a apologia da micro-família

Por fim confrontei-me com a Bimby, aquele famoso robot que, aparentemente, cozinha mais rápido, melhor e mais saudável do que qualquer humano. Provei uma bela marmelada e comprovei que reúne, num só, vários instrumentos (varinha e balança). Mas também verifiquei que estou fora do target. Uma família de 5 ou 6 não se safa com a Bimby, a não ser que esteja disposta a "contar as favas" à mesa, coisa deplorável.
Viva o belo tacho mega-familiar e as famílias estilo "Matrix", que fogem aos padrões estreitos e uniformizadores da contemporaneidade!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Viver como bestas

Da "Ética a Nicómaco" (Aristóteles):

"A massa e os mais grosseiros identificam felicidade com o prazer e por isso procuram uma vida voluptuosa. Os homens vulgares mostram-se pois completamente servis ao preferir uma vida de bestas."

Aristóteles viveu entre 384 a.C. e 322 a.C. Tantos anos se passaram e ninguém aprendeu nada?

A loucura da inveja

A inveja é um vício completamente ridículo. Se as pessoas soubessem quem são não poderiam sentir (e consentir) em pensamentos e actos invejosos. Cada um é único. Cada um tem uma vocação a cumprir, sempre ímpar e única. Toda a comparação distrai do caminho, atropela, desvia, consome energias inúteis. O que cada um tem a fazer é olhar para si, olhar para Deus, olhar para o seu tempo e seguir em frente. O que dói é ver como é perdido o tempo, como são desperdiçados talentos, como vivem na loucura da inveja pessoas com tanto para dar, que ninguém poderá dar por si.

"Os caranguejos portugueses" ou o mal da inveja

"Caranguejos portugueses" é uma expressão idiomática da antiga Índia Portuguesa que resume a seguinte história: estavam vários rapazes a apanhar caranguejos numa praia e um deles não tapava o cesto. Os outros disseram-lhe que, se não tapasse o cesto, os caranguejos sairiam. Mas ele respondeu que não. Os caranguejos não saíam porque eram "caranguejos portugueses". E explicou: "eles tentam, mas quando estão quase a conseguir vão outros por trás e fazem-nos cair". A triste sina de um país a abarrotar de invejosos. Faz mal à alma e... à economia!