segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Os "atrasados mentais"


Andam para aí a dizer que o pobre italiano que deu uma murraça certeira a Berlusconi tem "problemas mentais". Só não percebo por que razão não há doentes destes em Portugal. Até nisso somos pobrezinhos.

A Irrelevância do PSD - 2

O dr. Jardim também já é adepto da "não conflitualidade" a troco de uns trocos. Outro sintoma da irrelevância do PSD se se pensar que não se importa de dar dinheiro à Madeira ao mesmo tempo que não quer dar dinheiro para aeroportos, estradinhas e carris de alta velocidade. Esta gente da "não conflitualidade" senta o traseiro onde der mais jeito.

domingo, 13 de Dezembro de 2009

Duas falas num filme inteiro


No filme The Comfort of Strangers (Estranha Sedução em português), de Paul Schader, um casal daqueles que precisa duma viagem cliché para se darem conta do sentimento que os envolve, regressa a Veneza, onde se apaixonaram anos antes, sem aquela lição básica de que não se volta onde se foi extraordinariamente feliz e que pode-se sempre ir a todos os sítios por conhecer ou voltar àqueles onde a felicidade não foi plena. Num jantar numa das esplanadas da cidade, ao princípio da viagem, chegam rapidamente à conclusão que interessa:

Ela: Gostas de mim?
Ele: Eu gosto de ti porque estás sempre a desafiar-me com perguntas. Estás sempre a testar o meu intelecto.

O resto do filme não interessa para nada. O rapaz morre no meio de um enredo que mais parece uma ópera bufa com imensa presunção intelectual.

A Irrelevância do PSD

A ironia é que o PSD não se entende com o Portugal moderno ou "modernizado" que ele próprio, no "cavaquismo", criou. Um Portugal urbano (mesmo na província); um Portugal permissivo, indiferente à moral cristã; um Portugal a que o Estado-Providência vai garantindo uma vida obviamente mísera mas não desesperada; e, sobretudo, um Portugal dividido entre uma classe média com uma cultura de massa e sem definição exacta e uma subclasse amorfa, que não é reconhecível ou tratável pelas velhas categorias da teoria clássica (o campesinato, o proletariado e por aí fora). Nesta sopa turva o PSD não sabe o que fazer. E não será com certeza uma congregação de sábios, como alguma gente propõe, que o pode orientar. Tanto mais que uma "identidade ideológica" (signifique isso o que significar) só se encontra na acção. Ora a acção do PSD é desastrosa. Não vale a pena falar da interminável querela interna que dia a dia o desacredita - um partido que publicamente confessa a sua falta de unidade (Marcelo) ou a sua completa irrelevância (Balsemão) talvez ganhe o Céu, mas não ganha votos. Nem ganha votos de certeza a campanha parlamentar contra a alegada corrupção do Governo e do primeiro-ministro. Ou a proposta de política económica para atenuar a crise, que na aparência favorece os "ricos" (subsidiando as PME) e reserva a caridade para os pobres (prometendo, aliás nebulosamente, ajuda às famílias). O PSD, de resto, tende às vezes para o populismo ou o liberalismo, como qualquer direita numa social-democracia e, quando se toma por social-democrata, conforme o seu nome, não é tão convincente como o PS. Nesta barafunda, começa a emergir a suspeita de que o país se prepara para o dispensar como um anacronismo sem utilidade.

Vasco Pulido Valente, Público

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Desconstrução



Que as Comissões Parlamentares não serviam para nada, já se sabia. Que a dra Nogueira e o deputado Gonçalves estão ali a representar-se e ao seu respectivo clube em vez do povo que os elegeu, também. Que a AR é um sítio raramente frequentável, não é novo. Asneiras, má criação, indecência e pouca compostura, não são de agora. Partidos que, de um momento para o outro, ficam presos a senhores com a verborreia do senhor Gonçalves sem saber ler nem escrever, é que é de se tirar o chapéu. É que a dra Nogueira, fazendo parte do mesmo lixo, pode virar-se para onde quiser quando sair dali e, principalmente, tem a seu favor uma aparente gentileza de classe. Depois do "palhaço", bastou ouvir o pobre Gonçalves para este ser a chacota e ela ser esquecida no essencial da sua gaffe. É fácil desconstruir.

Educação Portuguesa


No casino da Figueira da Foz, Medina Carreira, moderado pela Fatinha número um do regime, voltou a dizer o que há para dizer sobre o Portugal real e não sobre o Portugal fantasiado das pessoas que têm dinheiro ou da cabeça do engenheiro Sócrates. O principal, segundo ele, está na educação da massa pobre e média que, no nosso caso, são mais do que a maioria. Segundo o ex-ministro socialista, a educação portuguesa é uma "miséria" e, das escolas, saem "analfabetos". E é verdade. "O que é que vai fazer com esta cambada de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga", disse. Por fim, resumiu muito bem o programa Novas Oportunidades afirmando que os alunos "fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução".

Diálogos

Também gostava de perceber por que razão alguns representantes da Igreja Católica insistem em estar presentes naquelas tretas dos diálogos inter-religiosos que, no caso concreto, só servem para se enxovalharem e serem constantemente enxovalhados pelos demais.