
domingo, 8 de Novembro de 2009

Falsos Indignados

Caos Calmo
Numa praia, dois irmãos salvam duas senhoras que estão a afogar-se no mar. No regresso a casa, comentam a ausência de uma admiração de que se sentiam merecedores por parte da audiência acumulada na areia. Depois de terem recuperado duas vidas, ninguém os valorizou e tornam-se indiferentes. Chegados a casa, um dos irmãos (Nanni Moretti) depara-se com a morte imprevista da mulher e com a sua filha de dez anos desesperada. O filme, com uma enorme carga emocional expressa em pormenores espectaculares de realização (a única coisa improvável é um flashback a Veneza), vive destes dois assuntos: da dor e revolta contra a injustiça de não nos ser reconhecido o nosso valor e a imprevisibilidade da vida humana.
Sozinho com a filha e em circunstâncias profissionais cheias de responsabilidades, este homem decide, no primeiro dia em que leva a filha à escola, permanecer no jardim em frente à espera que a filha regresse. É na confusão da procura de si mesmo, de como conseguir ajudar a criança a superar a sua própria dor, de como conquistar-lhe a confiança, que permanece semanas seguidas naquele espaço criando relações imprevisíveis e de uma enorme intensidade afectiva com as pessoas que ali passam rotineiramente. Ao mesmo tempo que ocupa a cabeça com partes da sua vida que não lhe interessam (como contar todas as companhias aéreas em que já viajou, etc), escolhe viver o caos emocional em que se encontra na calma daquele espaço discreto onde passa a receber os colegas de trabalho e os amigos.
No meio desta intensa procura de um sentido, a trama leva a que volte a cruzar-se com a mulher que tinha ido buscar ao mar. E é com ela que, com toda a humanidade, o fenómeno de libertação acontece. A cena de sexo muitíssimo intensa que os une espontaneamente é o momento simbólico da passagem da dor à aceitação.
A mensagem é clara. Anda-se por cá a desprezar sistematicamente o que nos rodeia em enormes actos de egoísmo e sem perceber que a vida é sempre e totalmente imprevisível. Se se percebesse o valor das pessoas e que nos nossos actos podemos conter um intenso valor simbólico do nosso afecto no tempo certo, a dor seria mais inexistente.
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Bom Fim-de-Semana

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Ela e as outras
domingo, 1 de Novembro de 2009
Pusilânimes

Mais uma Machadada

O Público mudou hoje de direcção. No editorial, já se vai avisando que "não escamoteamos o facto de ser nossa primeira obrigação repor essa credibilidade ameaçada, conscientes que estamos da percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal." É, portanto, de esperar o pior desta gente. Portugal é uma imensa vergonha, uma enorme amargura para quem vive preocupado com a coisa pública.